Informações importantes sobre cookies
Ao usar este site, você concorda com o uso de cookies de acordo com nosso
Política de Privacidade.
A importância da arte na formação de crianças e jovens

Embora museus, galerias e centros culturais ocupem lugares de destaque na paisagem contemporânea das cidades, nem sempre é reconhecido o papel que as artes plásticas desempenham na formação do indivíduo e, por consequência, da sociedade. Este breve artigo lança luz sobre o papel específico da arte em nossas vidas e sobre como ela pode se constituir em um instrumento potente no currículo, aliada a outras disciplinas.
Ao refletirmos sobre a necessidade das disciplinas e dos conhecimentos abordados na escola, frequentemente caminhamos para uma lógica da funcionalidade. Para que precisamos de matemática? Para aprender a realizar equações. Para que precisamos de língua portuguesa? Para aprender a nos comunicar melhor. No caso da arte, essa lógica não se aplica de maneira direta ou óbvia, pois se torna mais difícil delimitar uma única e circunscrita função. Frequentemente, esse é um dos argumentos utilizados para descredibilizar a necessidade do conhecimento artístico, levantando-se a questão sobre qual seria a especificidade do conhecimento de arte, ou da própria arte, e sua importância na formação do indivíduo.

Em primeiro lugar, é necessário diferenciar o conhecimento de arte do conhecimento da arte. O primeiro diz respeito à compreensão da história da arte e de seus fundamentos, de suas ideias e do impacto delas nas sociedades, por meio de seus objetos e agentes. O segundo refere-se ao conhecimento próprio da atividade artística, aquele que se encontra em constante processo de transformação e que gera mudanças no indivíduo, por meio da agência de cada sujeito, à medida que este se dispõe a se colocar no lugar de quem cria algo. Essas duas formas de conhecimento são abordadas na sala de aula de maneira simultânea, pois alunos e alunas têm contato com a história da arte e suas ideias, por meio de referências, e são provocados por exercícios práticos.

No que se refere ao conhecimento de arte, é possível adotar uma perspectiva divergente, a qual auxilia na compreensão dos processos históricos sob outro ponto de vista. O modernismo pode ser tomado como exemplo, já que a questão da ruptura se apresenta como elemento central para a compreensão da importância dessas ideias. Na Semana de Arte Moderna de 1922, por exemplo, a tensão gerada no interior da elite cafeeira emergente e conservadora, diante de imagens consideradas radicais, como a pintura Antropofagia (1929), de Tarsila do Amaral, exige a construção de uma perspectiva divergente em relação ao que estava estabelecido. Torna-se necessário compreender, ainda, como o Manifesto Antropofágico representou uma ruptura com a tradição colonial da arte europeia, ao eleger referências ameríndias para a constituição da cultura brasileira. O estudo desses processos históricos permite compreender que aquilo que hoje se apresenta como dado resulta tanto de continuidades quanto de rupturas, aspecto fundamental para o avanço de uma sociedade que, até então, limitava-se a reproduzir e consumir a arte das antigas metrópoles europeias.
Em um segundo momento, destaca-se o conhecimento da arte, o qual pode ser traduzido pela pergunta: de que maneira isso afeta a minha vida? Em sala de aula, alunos do sexto ano foram incentivados a pensar em histórias reais ou fictícias e em como poderiam criar imagens capazes de traduzir essas narrativas, utilizando como referência a obra anteriormente mencionada. Diante desse desafio, com o auxílio do professor e de recursos imagéticos disponíveis na internet, cada aluno precisou elaborar uma síntese, identificando o que era mais significativo para si e de que forma poderia materializar essas ideias por meio de uma linguagem indireta. Nesse contexto, o exercício da imaginação e da abstração mostra-se passível de adaptação a problemas mais complexos. A possibilidade de materialização por meio do desenho, realizada com relativa rapidez, favorece a visualização e o compartilhamento das ideias produzidas. Esse rascunho passa, então, a ser utilizado como projeto para um trabalho de maior escala, executado em uma folha quatro vezes maior, explorando os conceitos de escala e proporção.

Nessa etapa, surge outro desafio: o da cor, abordado sob o aspecto de seus elementos químicos. Questiona-se a origem da cor e a forma como a indústria produz tintas, por meio de pigmentos orgânicos e inorgânicos. Ao final do processo, alguns pigmentos orgânicos, coletados em terras dos jardins da escola, foram selecionados para a criação de cores próprias, que foram misturadas aos três pigmentos primários, amarelo, azul e vermelho, e utilizadas no trabalho final. A obra resultante articula instrumentos e habilidades de disciplinas como química, matemática e história, colocadas a serviço da criação de algo que contribui para a formação da individualidade. Cada trabalho apresenta, em sua concepção e execução, aspectos singulares, originados de uma pergunta que apenas a arte é capaz de suscitar: o que me torna diferente de todos os outros?
Prof. Tiago Malagodi
Prof. Tiago Malagodi
Comentários
Nenhum comentário até o momento.
Erro ao cadastrar seu comentário, tente novamente!
Envie um comentário