Orientação Educacional -Trabalho Educacional do Ensino Fundamental II   


O projeto educativo busca articular propostas com vistas a favorecer a aprendizagem significativa dos alunos nos diferentes conteúdos em função dos objetivos que se pretende atingir.

Entende-se que cada aluno tem uma maneira muito singular de ser e de estar no mundo, uma modalidade de funcionamento que é única e que, portanto, nenhuma teoria ou ideia pré-construída é capaz de capturar totalmente.

quatro pilares propostos a partir da reforma curricular nacional que sustentam a intervenção com os alunos. Vale explicitá-los:

• aprender a conhecer, que significa ser capaz de aprender a aprender ao longo de toda a vida;

• aprender a fazer, que pressupõe desenvolver a competência do saber se relacionar em grupo, saber resolver problemas e adquirir uma qualificação profissional;

• aprender a viver com os outros, que consiste em desenvolver a compreensão do outro e a percepção das interdependências, na realização de projetos comuns, preparando-se para gerir conflitos, fortalecendo sua identidade e respeitando a dos outros, respeitando valores de pluralismo, de compreensão mútua e de busca da paz;

• aprender a ser, para melhor desenvolver sua personalidade e poder agir com autonomia, expressando opiniões e assumindo as responsabilidades pessoais.”

(Brasil- Parâmetros Curriculares Nacionais

Secretaria de Ensino Fundamental.

MEC/SEF: Brasília,1998.)

A atuação da Orientação Educacional na escola objetiva oferecer opções aos alunos durante os diversos momentos da sua constituição, em vários aspectos: social, afetivo, físico e cognitivo.

O olhar “educativo” e cuidadoso para cada pequena atitude ou questão do dia-a-dia favorece a compreensão da cidadania como participação social e política, assim como o exercício de direitos e deveres. O trabalho possibilita aos alunos posicionar-se de maneira ética, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais. Em todos os momentos do cotidiano escolar, o diálogo é incentivado como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas.

O papel do Orientador Educacional também é o de mediar as relações entre educadores, alunos e familiares. O objetivo deste trabalho é promover a ação reflexiva no que se refere às questões relacionadas à aprendizagem, questões atitudinais, e sociais, buscando criar oportunidades para que o aluno construa paulatinamente posturas de responsabilidade e autonomia.

Ao longo da escolaridade, as crianças têm possibilidade de efetuar escolhas e assumir pequenas responsabilidades, favorecendo o desenvolvimento da autoestima, essencial para que se sintam confiantes. Conhecer suas características e potencialidades e reconhecer seus limites são aspectos fundamentais para o desenvolvimento da identidade e para a conquista da independência. O fato de confiarem em si próprias e de sentirem-se respeitadas, oferece segurança para a formação pessoal e social.

A escola é um espaço de socialização no qual se dá a ampliação dos laços relacionais (com outras crianças e adultos), e se valoriza a percepção do outro e a constatação das diferenças entre as pessoas como fatores importantes para o desenvolvimento.

Formação da Autonomia Moral

O trabalho educacional pretende levar os estudantes a reflexão e ação constantes sobre três eixos básicos: viver em grupo (aprender a viver com os outros), ser aluno (aprender a conhecer e aprender a fazer) e ser eu mesmo (aprender a ser). A fim de atingir este propósito, as Rodas de Convivência são uma atividade que compõe a rotina escolar.

Esta proposta ocorre periodicamente e possibilita momentos ricos de discussão e reflexão com vistas à melhoria da vida coletiva. Através do diálogo, os estudantes podem repensar suas atitudes e pontos de vista, reforçam suas opiniões, questionam, solucionam conflitos, enfim, percebem-se como parte importante do grupo com responsabilidades, direitos e deveres.

Este trabalho educativo promove condições para os alunos conhecerem novos sentimentos, valores, idéias, costumes e papéis sociais. Nestes encontros são desenvolvidas diferentes temáticas que variam de acordo com as características do agrupamento.

Sob o olhar dos professores, os alunos assumem paulatinamente a responsabilidade por equacionar diferentes pontos de vista e desenvolver estratégias que aprimorem a convivência com base em princípios éticos universais.

Mesa Redonda é uma outra atividade desenvolvida, a partir do 7º ano, tendo em vista a aproximação da maturidade argumentativa. Os alunos têm um encontro semestral com a diretora da escola, quando desenvolvem o aprendizado da expressão organizada de seus pontos de vista, a exposição e defesa de opiniões e a realização de solicitações a respeito de temas de interesse coletivo. Nesse exercício, os estudantes são divididos em pequenos grupos que se responsabilizam por tarefas determinadas como, por exemplo, a composição da mesa diretiva (presidente, vice-presidente, secretário e vice-secretário) e a definição de argumentos (pontos positivos, críticas e sugestões). Entre as diversas aprendizagens favorecidas por essa prática, vale destacar as que se referem às necessidades de organização e coerência, escuta às questões coletivas, negociação grupal e posicionamento adequado para a conquista de metas escolhidas.