Sonia Maria Grandi *

O ensino carrega a difícil tarefa de criar e transmitir habilidades e capacidades ao ser humano. Santo Tomás de Aquino (1225-1274) já dizia que existem duas maneiras de saber – pela descoberta, quando a razão alcança por si só um conhecimento que não tinha, e pelo ensino, quando se recebe ajuda de outra pessoa. Nesse contexto, o papel da escola, que sempre se preparou para ensinar conteúdos, atribui hoje cada vez mais importância às pessoas, às suas habilidades, ao trabalho em grupo e à comunicação.

Vivemos em uma época de céleres mudanças tecnológicas que requer da escola um projeto pedagógico contextualizado com as demandas globais. Os ambientes que compõem a escola, e aqui falamos exclusivamente da Biblioteca, recebem o desafio de constantemente repensar o seu espaço físico, a sua relação com os alunos, sua missão e atuação. Os compromissos educacionais da Stance Dual, formulados com base na concepção sócio-construtivista, incorpora a prática das situações de aprendizagem em diferentes espaços e requer uma participação ativa do aluno nesse processo.

O que pretendemos é, antes de tudo, reforçar o conceito de “biblioteca interativa”, na qual o aluno desenvolve não somente o gosto pela leitura e pela escrita por intermédio de livros, CDs, revistas, vídeos, Internet, mas, também, através de rodas de leitura, “reading time”, ações culturais, num ambiente agradável, receptivo e descontraído. Como diz Hernández (2004), o aprendiz é como um viajante que se detém o tempo que for necessário nos lugares de seu interesse.

A leitura deve ser uma coisa gostosa e trabalhamos para reforçar essa atividade já realizada em sala de aula, especialmente com os alunos menores. As avaliações mostram que os alunos aprendem mais quando têm a oportunidade de conviver com os livros na escola. Ajudá-los a descobrir e usufruir do mundo dos livros é nosso compromisso, fazendo-os descobrir cada vez mais que a Biblioteca é um tesouro a ser explorado. E para atrair mais leitores de outras faixas etárias estamos em constante renovação da coleção e pretendemos reelaborar a disposição do acervo tornando-o mais amigável dentro de um espaço mais atraente.

No campo da pesquisa escolar, é nossa intenção fazer com que o aluno entre em contato com a informação e, a partir disso, possa reelaborá-la, construí-la, se apropriar dela e se tornar não somente receptor, mas produtor de conhecimento. Queremos que a Biblioteca atue como extensão da sala de aula, complementando os conteúdos e estimulando os alunos a se tornarem investigativos.

Integrar as exigências acadêmicas em projetos culturais e interdisciplinares que tenham significação e relevância para o aluno é criar um projeto educativo que estruture a participação de diferentes agentes educadores. Assim, acreditamos no papel da Biblioteca como local de intercâmbios, dos quais alunos e professores participam, transformando em aprendizagem as experiências sociais e os conteúdos curriculares. Será através do desenvolvimento de ações práticas e efetivas que se buscará contextualizar a Biblioteca no projeto pedagógico da Escola, para não somente transmitir informação, mas também gerar uma atividade cognitiva.

Sonia Maria Grandi é bibliotecária e consultora educacional em gestão da informação. Bacharel em Biblioteconomia pela Faculdade de Biblioteconomia e Documentação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e especialista em Bibliotecas Escolares pela Faculdade de Educação e Ciências Pinheirense de São Paulo
A partir deste ano faz parte da equipe da escola como assessora na Biblioteca.